23 de fevereiro, 2011
A América Latina de Berlim
A América Latina se mostrará como potência em ascensão na Berlinale com uma forte representação encabeçada pelos aspirantes ao Urso “El premio” e “Un mundo misterioso”, dos argentinos Paula Markovitch e Rodrigo Moreno e pelo filme brasileiro “Tropa de Elite 2″, de José Padilha, em uma seção paralela.
O Festival de Berlim é sempre uma boa vitrine para o cinema latino-americano, principalmente desde 2001, quando Dieter Kosslick assumiu a direção. A 61ª edição do festival, que ocorre entre os dias 10 e 20 de fevereiro e é anunciada hoje oficialmente, confirma essa informação.
Dois latino-americanos estão entre os 16 títulos da competição oficial, “El Premio” -coprodução entre o México, a França, a Polônia e a Alemanha - e “Un mundo misterioso” -Argentina, Uruguai e Alemanha -, enquanto o Panorama Special projetará a segunda parte do vibrante “Tropa de Elite” de Padilha, Urso de Ouro em 2008.
Trata-se, no que diz respeito aos competidores, de dois filmes “de estilo muito distinto, ambos expoentes do bom momento latino-americano”, em palavras de Kosslick, que reúnem também alguns dos ingredientes “afins” ao diretor do festival.
Markovitch estreia como diretora com um filme que recebeu o apoio do fundo World Cinema da Berlinale e que foi filmado no México, centrado em uma mulher marcada pela ditadura e em sua filha de poucos anos de idade.
O que acontece em volta delas se descobre por meio de silêncios e a partir de uma “perspectiva diferente” da habitualmente usada para abordar o tema da ditadura argentina, segundo descrição de Kosslick.
É um filme dirigido por uma mulher - outra preferência confessa de Kosslick - além de respaldado pela trajetória de Markovitch como roteirista do mexicano Fernando Eimbcke, vencedor do prêmio Especial do Júri e do FIPRESCI na Berlinale de 2008 com “Lake Tahoe”.
Moreno, ganhador em 2006 do prêmio Alfred Bauer - o fundador do festival - com “El custodio”, retorna à competição com um filme para “amantes, como eu, do tempo lento”, nas palavras de Kosslick, que trata de um motorista em busca do mistério do estacionamento perfeito.
Ambos os cineastas argentinos competirão pelo Urso. Na mostra competitiva de curtas-metragens estão “La calma”, do peruano Fernando Vilchez Rodríguez, e “La ducha”, da chilena María José San Martín.
Na Mostra Panorama, a segunda seção mais importante do festival, será exibido “Medianeras”, a estreia do argentino Gustavo Taretto, enquanto seu compatriota Nicolás Carreras exibirá “El camino del vino”, um filme centrado na “perda do gosto e do olfato”.
O cinema latino-americano estará “especialmente forte” na Mostra Fórum, disse Christoph Terhechte, o diretor desta seção, que chamou a atenção para a presença argentina.
Da Argentina, serão exibidos “Ausente”, de Marco Berger, e “Ocio”, de Juan Villegas; da Colômbia, “Karen llora en un bus”, de Gabriel Rojas Vera; do Chile, “El mocito”, de Marcela Said, e por parte do Brasil, “Os residentes”, de Tiago Mata Machado.
Generation, destinada ao público juvenil, mostrará o peruano-argentino “Las malas intenciones”, de Rosario García-Montero, o venezuelano-peruano “El chico que miente”, de Marité Ugás; o brasileiro “Ensolarado”, de Ricardo Targino; o chileno “Blokes”, de Marialy Rivas, e o paraguaio “Calle última”, de Marcelo Martinessi.
A presença latino-americana alcança inclusive a Mostra Perspectivas do Cinema Alemão, com “Dígame – Sag mir”, filmado pela diretora Josephine Frydetzki em Buenos Aires, no marco do bicentenário da independência dos países latino-americanos.
Deste modo, está garantido um panorama mais do que extenso sobre a América Latina em Berlim, um festival cuja lista de premiados acumula numerosos nomes da região, dos quais o último foi a diretora Claudia Llosa, Urso de Ouro em 2009 com o hispano-peruano “La teta asustada”.
A boa sintonia entre a Berlinale e a América Latina vem de 1998, ano em que o brasileiro “Central do Brasil”, de Walter Salles, levou o Ouro, e se acentuou com a chegada de Kosslick, em 2001, à direção da mostra.
Nesse ano, a argentina Lucrecia Martel se destacou com o prêmio ao melhor filme de estreia com “La ciénaga”. Depois desse vieram, em 2004, o Grande Prêmio do Júri para “El abrazo partido”, de seu compatriota Daniel Burman, e o Urso de Prata para o ator Daniel Hendler.
Dois anos depois chegou a vez de “El Custodio”, de Moreno e, em 2007, de “El otro”, do também argentino Ariel Rotter, que obteve o Grande Prêmio do Júri e a Prata para seu ator Julio Chávez.
“Gigante”, filme uruguaio dirigido pelo argentino Adrián Biniez, somou em 2009 o Grande Prêmio do Júri, o Prêmio Alfred Bauer e o de melhor filme de estreia. Nesse ano houve também o já citado Urso de Ouro ao hispano-peruano “La teta asustada” da diretora Claudia Llosa.
Várias destas produções contaram com a ajuda prévia do fundo World Cinema, criado pela Berlinale para apoiar o cinema da América Latina, da África e do Oriente Médio.
Fuente: LaLataNews




