13 de setembro, 2010

Avances na Argentina pela preservação de filmes

A presidenta Cristina Fernández firmou na última segunda-feira 30 de agosto, o decreto que regulamenta a Lei 25.119, criado pela Cinemateca e pelo Arquivo da Imagem Nacional(Cinain) como ente autárquico e autônomo dentro da Secretaria de Cultura da Nação.


O ato foi realizado na Casa de Governo e participou o secretário de Cultura da Nação, Jorge Coscia; o presidente do Sistema Nacional de Meios Públicos, Tristán Bauer; a presidenta do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (Incaa), Liliana Mazure; e o historiador Francisco Pestanha, além de representantes da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas e da Associação de Apoio ao Patrimônio Audiovisual (Aprocinain).

Segundo o texto da Lei, cada novo filme que estréie no país, deverá entregar uma cópia final e um negativo ou matriz de onde se poderão fazer novas cópias à Cinemateca, para resguardo e preservação.

"Esta instituição vêm complementar as políticas públicas do Estado que foram muito contundentes e claras relacionadas com o fomento do cinema na atualidade, mas que tiveram um atraso no cuidado do cinema de nossa própria história e do nosso passado", disse Coscia.

Depois do ato de firma, se levou a cabo uma conferência de imprensa organizada pelo Incaa, com a presença de Coscia, Mazure, Bauer, Fernando Martín Peña, Hernán Gaffet, e representantes da Aprocinain.

"Hoje foi dado um passo gigantesco para cuidar algo tão valioso que quase sempre esteve descuidado. Grande parte desse patrimônio está irremediavelmente perdido, mas há muito por salvar. É disso que se trata", destacou Coscia.
Ao regulamentar a Lei 25.119 de 1999, o Estado Argentino começa a saldar uma dívida com o cinema, cuja produção fomenta o Incaa, mas que deve ser preservado para os estudantes, investigadores e para todos os cidadãos, já que é o patrimônio cultural que nos pertence.

A Cinemateca e o Arquivo da Imagem Nacional, na ordem da Secretaria de Cultura da Nação, cuidará do cinema nacional e também do mais destacado da  produção internacional que, através das telonas, também passou a ser parte do nosso imaginário. Todos os materiais que até hoje se perdem sistematicamente por falta de lugar adequado para preservar.
"Se o Estado investe dinheiro na produção e na difusão disso que produz, racionalmente também tem que investir em cuidar disso que o Estado produziu ou contribuiu para que fosse  produzido", assinalou Fernando Martín Peña, presidente da Aprocinain.
No contexto, a Argentina se apresenta como um dos países pioneiros na exibição e produção cinematográfica, e, na atualidade, um dos que apresentam maior produção audiovisual na América Latina, e sem embargo um dos países sem Preservação nem Difusão de seu patrimônio fílmico e audiovisual.
"Hoje devo dizer que o trabalho da Cinemateca se levou adiante pelo grande impulso das pessoas que estão trabalhando e que vem trabalhando a muitos anos nesse tema. Mas também tem muito a ver com a gestão do governo nacional no país", destacou Mazure.

Perdemos já 90% do cinema mudo e 50% do nosso cinema sonoro. O que fica não está contado em cifras, não está totalmente identificado e localizado, e existe uma grande quantidade de material para ser restaurado. 

A assinatura da Presidenta no decreto da Lei que cria a Cinain gera um novo espaço, uma nova instituição até hoje inexistente, só o tempo dimensionará o imenso passo histórico que hoje estamos dando no que se refere à constituição da nossa identidade cultural.
"Cada vez que a Argentina teve uma crise, o cinema argentino teve uma crise; cada vez que na Argentina faltou liberdade, faltou liberdade ao nosso cinema; cada vez que parecia que tudo se acabava, também parecia que se acabava o cinema. De tal maneira que falar de um cinema exitoso que tem muitas contas pendentes mas que está crescendo, produzindo e com premiações surpreendentes, é falar também de uma Argentina que motiva a esperança", disse o secretário da Cultura.

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